domingo, 12 de maio de 2013

Ele


E foi assim, quando eu já nem mais queria, ele apareceu. Tirou meu chão, fez o meu céu, me roubou. Pegou aquilo que eu guardava ali, escondidinho, pra ninguém mais ver, nem tocar, nem querer. De repente eu voltei a ter dias, noites, madrugadas. Sem que eu percebesse, me tomou por inteira, e verdadeira. Tentei de todos os jeitos, formas, meios, possíveis e imagináveis, não queria, eu fugia, mas no fim, sempre voltava. Não sei dizer o que veio primeiro, se foram os olhos, as mãos, a barba, a boca, os braços, só sei que veio. E eu? Fiquei, e nunca mais quis ir embora. Gostei. Então eu me dei conta, era ele, sempre foi. Aquele, que roubou de mim o que estava guardado, e na verdade, deu corda pra voltar a bater, rápido e devagar, tudo ao mesmo tempo. E nesse embalo eu me refiz, renasci, vi o sol, só pra dizer que mesmo se houver escuridão, ainda vou vê-lo à luz da lua.